Saúde

Gravidez e fertilidade: para que serve a vitamina D

R. Oliveira··10 min de leitura

Vitamina D para que serve: entendendo o papel desse nutriente essencial

Quando falamos em saúde reprodutiva, muitas pessoas pensam imediatamente em ácido fólico e ferro. No entanto, existe um nutriente que vem ganhando cada vez mais destaque nas pesquisas científicas sobre fertilidade e gestação: a vitamina D. Mas, afinal, vitamina D para que serve no contexto da saúde reprodutiva?

A vitamina D é um hormônio esteroide lipossolúvel que desempenha funções muito além da saúde óssea. Ela atua na regulação do sistema imunológico, no funcionamento celular, na absorção de cálcio e fósforo e, como veremos ao longo deste artigo, tem um papel fundamental na fertilidade tanto feminina quanto masculina, além de ser indispensável durante toda a gravidez.

Eu sou a Ana Beatriz, blogueira de saúde, e hoje vou compartilhar com vocês tudo o que a ciência já sabe sobre a relação entre a vitamina D, a fertilidade e a gravidez. Se você está planejando engravidar ou já está esperando um bebê, este artigo foi feito para você.

Como a vitamina D influencia a fertilidade feminina

A relação entre a vitamina D e a fertilidade feminina tem sido amplamente estudada nos últimos anos. Receptores de vitamina D estão presentes nos ovários, no endométrio e na placenta, o que indica que esse nutriente participa ativamente dos processos reprodutivos.

Estudos publicados em periódicos como o Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism demonstraram que mulheres com níveis adequados de vitamina D apresentam maiores taxas de sucesso em tratamentos de fertilização in vitro (FIV). Isso ocorre porque a vitamina D contribui para:

  • Regulação hormonal: A vitamina D auxilia no equilíbrio dos hormônios reprodutivos, incluindo o estrogênio e a progesterona, fundamentais para a ovulação regular.
  • Qualidade dos óvulos: Níveis adequados do nutriente estão associados a uma melhor qualidade ovocitária, aumentando as chances de fecundação.
  • Receptividade endometrial: O endométrio precisa estar preparado para a implantação do embrião, e a vitamina D participa desse processo de preparo do revestimento uterino.
  • Controle da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): Muitas pessoas com SOP apresentam deficiência de vitamina D. A suplementação pode ajudar a melhorar a resistência à insulina e a regularidade menstrual associadas à condição.

Portanto, quando nos perguntamos vitamina D para que serve no universo feminino, a resposta vai muito além dos ossos: ela é uma aliada poderosa da saúde reprodutiva.

Vitamina D e a fertilidade masculina: o que os estudos mostram

Não são apenas as mulheres que se beneficiam de níveis adequados de vitamina D quando o assunto é fertilidade. A saúde reprodutiva masculina também depende desse nutriente.

Pesquisas indicam que a vitamina D influencia diretamente a qualidade do sêmen. Homens com deficiência de vitamina D tendem a apresentar menor contagem de espermatozoides, menor motilidade espermática e maior proporção de espermatozoides com morfologia anormal.

Os receptores de vitamina D estão presentes nas células dos testículos e nos próprios espermatozoides, participando de processos como:

  • Produção de testosterona: A vitamina D está envolvida na síntese de testosterona, hormônio essencial para a produção de espermatozoides.
  • Maturação espermática: O nutriente contribui para o desenvolvimento adequado dos espermatozoides ao longo de todo o ciclo de espermatogênese.
  • Capacitação espermática: Processo pelo qual o espermatozoide adquire a capacidade de fecundar o óvulo, e que também sofre influência da vitamina D.

Dessa forma, casais que estão tentando engravidar devem considerar que ambos os parceiros precisam manter níveis saudáveis desse nutriente. A avaliação dos níveis séricos de vitamina D deveria fazer parte do check-up pré-concepcional de todas as pessoas envolvidas no planejamento familiar.

A importância da vitamina D durante a gravidez

Uma vez que a gestação se inicia, a importância da vitamina D não diminui — pelo contrário, ela se torna ainda mais crucial. Durante a gravidez, as necessidades de vitamina D aumentam significativamente, pois o nutriente é fundamental tanto para a mãe quanto para o desenvolvimento do bebê.

Entre os principais benefícios da vitamina D na gravidez, destacam-se:

  • Desenvolvimento ósseo do feto: A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio, mineral indispensável para a formação do esqueleto do bebê, especialmente durante o segundo e terceiro trimestres.
  • Redução do risco de pré-eclâmpsia: Estudos sugerem que gestantes com níveis adequados de vitamina D apresentam menor risco de desenvolver pré-eclâmpsia, uma complicação grave caracterizada por pressão arterial elevada.
  • Menor risco de diabetes gestacional: A vitamina D participa do metabolismo da glicose e da sensibilidade à insulina, podendo reduzir o risco dessa condição.
  • Fortalecimento do sistema imunológico: Durante a gravidez, o sistema imunológico materno passa por adaptações, e a vitamina D ajuda a manter essa regulação de forma equilibrada.
  • Prevenção de parto prematuro: Algumas pesquisas associam a deficiência de vitamina D a um maior risco de parto antes das 37 semanas de gestação.

É importante que as gestantes conversem com seus obstetras sobre a necessidade de suplementação, já que muitas pessoas no Brasil apresentam níveis insuficientes de vitamina D, mesmo vivendo em um país tropical.

Deficiência de vitamina D: um problema mais comum do que se imagina

Apesar de o Brasil ser um país com abundância de luz solar, a deficiência de vitamina D é surpreendentemente comum na população brasileira. Estimativas apontam que entre 40% e 60% das pessoas adultas no país apresentam níveis insuficientes ou deficientes desse nutriente.

Vários fatores contribuem para esse cenário preocupante:

  • Uso excessivo de protetor solar: Embora fundamental para a prevenção do câncer de pele, o uso constante de filtro solar reduz significativamente a produção cutânea de vitamina D.
  • Estilo de vida indoor: Muitas pessoas passam a maior parte do dia em ambientes fechados, seja no trabalho, seja em casa, limitando a exposição solar.
  • Pigmentação da pele: Pessoas com pele mais escura produzem menor quantidade de vitamina D quando expostas ao sol, necessitando de maior tempo de exposição.
  • Alimentação pobre em vitamina D: As fontes alimentares de vitamina D são relativamente limitadas, concentrando-se em peixes gordurosos, gema de ovo, fígado e alimentos fortificados.
  • Obesidade: A vitamina D é lipossolúvel e pode ficar sequestrada no tecido adiposo, reduzindo sua disponibilidade no organismo.

Para quem está tentando engravidar ou já está grávida, a dosagem sérica de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D) é o exame de referência. A maioria dos especialistas considera como adequados valores acima de 30 ng/mL, embora exista debate sobre os níveis ideais durante a gestação.

Fontes de vitamina D: como garantir níveis adequados

Entendendo vitamina D para que serve na fertilidade e na gravidez, é natural que surja a pergunta: como manter bons níveis desse nutriente? Existem três formas principais de obter vitamina D:

Exposição solar

A principal fonte de vitamina D para o corpo humano é a síntese cutânea estimulada pela radiação ultravioleta B (UVB). Recomenda-se a exposição de braços e pernas ao sol por 15 a 20 minutos diários, preferencialmente entre 10h e 15h, sem protetor solar na área exposta. É importante ressaltar que essa recomendação deve ser individualizada e discutida com um dermatologista, considerando o risco de câncer de pele.

Alimentação

Embora as fontes alimentares de vitamina D sejam limitadas, incluir os seguintes alimentos na dieta pode contribuir para manter níveis adequados:

  • Salmão, sardinha, atum e outros peixes gordurosos
  • Gema de ovo
  • Fígado bovino
  • Cogumelos expostos à luz solar
  • Leite e cereais fortificados com vitamina D
  • Óleo de fígado de bacalhau

Suplementação

Para muitas pessoas, especialmente gestantes e mulheres que estão tentando engravidar, a suplementação de vitamina D pode ser necessária. As doses recomendadas variam de acordo com os níveis séricos individuais e devem ser definidas por um profissional de saúde. As formas mais comuns de suplementação são a vitamina D3 (colecalciferol), considerada mais eficaz que a D2 (ergocalciferol) para elevar e manter os níveis sanguíneos.

Vitamina D e o desenvolvimento do bebê após o nascimento

Os benefícios da vitamina D não se encerram com o parto. Bebês nascidos de mães com níveis adequados de vitamina D tendem a apresentar melhor saúde óssea, menor risco de infecções respiratórias nos primeiros meses de vida e possivelmente menor predisposição a condições alérgicas e autoimunes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a suplementação de vitamina D para todos os recém-nascidos a partir da primeira semana de vida, independentemente do tipo de aleitamento, na dose de 400 UI/dia durante o primeiro ano. Essa recomendação reforça a importância desse nutriente desde os primeiros momentos da vida.

Além disso, durante a amamentação, os níveis de vitamina D da mãe influenciam a quantidade do nutriente presente no leite materno. Por isso, manter a suplementação materna durante o período de lactação é uma estratégia importante para a saúde de ambos.

Perguntas frequentes sobre vitamina D, gravidez e fertilidade

Qual a dose ideal de vitamina D para quem está tentando engravidar?

Não existe uma dose universal, pois a recomendação depende dos níveis séricos individuais. De forma geral, a ingestão diária recomendada para adultos é de 600 a 800 UI, mas muitos especialistas em fertilidade recomendam doses mais altas, entre 1000 e 2000 UI/dia, para mulheres que estão planejando a gravidez. A dosagem exata deve ser orientada por um médico após avaliação laboratorial.

Vitamina D em excesso pode prejudicar a gravidez?

Sim, embora raro, o excesso de vitamina D (hipervitaminose D) pode causar hipercalcemia, que se manifesta com náuseas, vômitos, fraqueza e, em casos graves, pode causar danos renais. Esse risco é praticamente inexistente com a exposição solar, mas pode ocorrer com suplementação em doses muito elevadas sem acompanhamento médico. Por isso, a suplementação deve sempre ser supervisionada por um profissional de saúde.

Quanto tempo leva para normalizar os níveis de vitamina D?

Geralmente, com suplementação adequada, os níveis de vitamina D começam a melhorar em 4 a 6 semanas, mas podem levar até 3 meses para atingir valores considerados ideais. Por isso, pessoas que estão planejando engravidar devem começar a avaliar e corrigir seus níveis de vitamina D com pelo menos 3 a 6 meses de antecedência.

O SUS cobre o exame de vitamina D para gestantes?

A dosagem de vitamina D não faz parte dos exames de rotina do pré-natal pelo SUS em todas as localidades. No entanto, médicos podem solicitar o exame quando há suspeita clínica de deficiência ou quando a gestante pertence a um grupo de risco. Converse com seu obstetra sobre a necessidade de realizar esse exame durante o pré-natal.

Considerações finais

Ao longo deste artigo, exploramos em detalhes vitamina D para que serve quando falamos de fertilidade e gravidez. Ficou claro que esse nutriente — na verdade, um hormônio — desempenha papéis essenciais em todas as etapas do processo reprodutivo: desde a qualidade dos gametas e a implantação do embrião até o desenvolvimento fetal e a saúde do recém-nascido.

Se você está planejando uma gravidez ou já está gestante, converse com seu médico sobre a importância de avaliar seus níveis de vitamina D. Um exame simples de sangue pode identificar uma deficiência que, quando corrigida, pode fazer toda a diferença na sua jornada rumo à maternidade.

Cuide-se e lembre-se: informação de qualidade é o primeiro passo para uma gravidez saudável.

Com carinho, Ana Beatriz.

Aviso importante: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O conteúdo aqui apresentado não substitui, em hipótese alguma, a consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico profissional. Cada organismo é único, e as necessidades nutricionais variam de pessoa para pessoa. Antes de iniciar qualquer suplementação de vitamina D ou alterar sua dieta, consulte um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde qualificado. Nunca tome decisões sobre sua saúde ou a saúde do seu bebê com base apenas em informações encontradas na internet.

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